sexta-feira, abril 02, 2010

A arte de um mundo pequenino

Não é difícil acompanhar novas vertentes da arte e fotografia por intermédio da internet. Com ajuda da mídia digital, artistas podem promover seus trabalhos, e os fãs, é claro, não demoram a espalhar a ideia pela rede. E a arte pode estar em qualquer lugar: nas ruas, nas músicas, nas imagens... E ela pode ser também muito pequenina! Após alguns cliques e pesquisas, trago a este blog alguns de meus artistas favoritos da arte em miniatura:
O artista e fotógrafo francês Vincent Bousserez lançou em 2009 o ensaio fotográfico Plastic Life, que dá vida aos pequenos bonecos de maquetes em suas fotografias. Parisiense, Bousserez teve a ideia das primeiras cenas em 2005, quando visitou uma loja especializada nas miniaturas. Logo o artista criaria cenários que interagissem com os pequenos personagens em uma série de atividades diárias. Nas imagens, uns escalam um bolo, outros leem jornais, trabalhadores limpam relógios de pulso e lentes de óculos, enquanto outros se divertem entre flores gigantescas.


Segundo Bousserez, uma fotografia pode levar até 30 minutos para ficar pronta: desde a arrumação do cenário até o clique na câmera fotográfica. E para garantir a espontaneidade e irreverência, ele conta que carrega as miniaturas para onde quer que vá, pois "os cenários e as ideias podem aparecer a qualquer momento".


Além deste ensaio, Bousserez também nos brinda com o olhar urbano nas composições de Concrete & Urban e com os belos olhares de Faces. Todas as imagens estão disponíveis em
seu site.

Mais imagens da mostra imperdível de Vicent Bousserez - Plastic Life.


Já o inglês Slinkachu prefere levar suas miniaturas diretamente para as ruas e assim, fazer delas os cenários para as fotografias. Suas ideias também começaram em 2005, mas inicialmente como um hobby. Slinkachu utiliza as ruas como galerias de arte permanente de suas miniaturas de maquetes, mesmo depois do registro para o blog. "Talvez muitos já se perderam por aí, alguns provavelmente foram chutados, ou ficaram destruídos com a chuva, mas é por isso que gosto deles. É uma maneira catártica de dizer adeus aos personagens que eu crio," afirmou o artista ao jornal inglês The Guardian.
Depois de criar o blog, Slinkachu percebeu que poderia ir além da diversão, já que muitos visitantes passaram a reconhecer os lugares das fotografias e iam até eles para encontrar as miniaturas. Além de exibir as fotografias em macro - no plano dos bonequinhos - o artista também os fotografa de seu próprio ponto de vista, criando assim, uma perspectiva interessante entre cada imagem. E Slinkachu não só retrata personagens em suas tarefas diárias, mas também monta situações bizarras e criou ainda o personagem super-héroi Men of Tomorrow, que ganhou uma série própria.
Para promover seu trabalho nas ruas de Londres, o artista lançou o livro com algumas das melhores fotografias e usa o blog para lucrar com o sucesso: na página ele vende itens como buttons e até mesmo skateboards com personagens de seu Tiny Street Art Project impressos. O sucesso ainda rendeu ao artista citações em guias turísticos alternativos de Londres e destaques na imprensa britânica.

Série Same Old Song, no Covent Garden - Londres.


Site oficial do arista: slinkachu.com
O mundo pequenino dos bonecos em miniatura não só estão nas fotografias, mas também em videoclipes. A banda Muse, por exemplo, traz o vídeo da música Uprising que exibe uma cidade em uma escala de 1/25 sendo atacada por teddy bears gigantes e assustadores (!). Enquanto isso, a banda cruza mini ruas, edifícios e lojas em uma caminhonete também pequenina. O clipe foi idealizado pela produtora novaiorquina Humble, que uniu os diretores Sam Stephens e John Hobbs para dar vida às miniaturas e mostrar a revolta delas diante da invasão dos ursos. Segundo os diretores, foram quatro dias de filmagens em dois continentes. Após as filmagens, eles encararam uma maratona de 11 dias, incluindo edição e criação. E avisaram: muitos ursos foram machucados durante as filmagens.





Fotografia, arte, musica... E por que não literatura? Bem, esta já foi uma ideia minha para a capa do livro "Na Praia" de Ian McEwan. Ano passado, quando cursei a disciplina de "Ilustração Digital" na faculdade, precisei criar uma capa para um livro e então imaginei uma pequena maquete... Bastaram os dois bonequinhos, um cenário que busquei no Google Imagens, um pouco de farinha e a câmera!
Gostei de criar também meu mundo pequenino.... :-)



segunda-feira, março 01, 2010

Chuva de borboletas e emoção






Coldplay
28/02/10
Praça da Apoteose - Rio de Janeiro, RJ

Emocionante talvez seja uma palavra simples para descrever o espetáculo Viva la Vida, que o Coldplay trouxe aos cariocas no último dia do mês de fevereiro. Sob uma fraca (mas insistente) chuva, a Praça da Apoteose ficou pequena para os cerca de 30 mil fãs que lotaram as pistas e arquibancadas, e minúscula para a empolgação da banda, que trouxe muitas cores, efeitos, luzes e confetes para mostrar como a música pode ter momentos inesquecíveis.

Chris Martin, Jonny Buckland, Will Champion e Guy Berryman entraram em cena percorrendo rápido o palco e fazendo desenhos no ar com uma pequena corda brilhante, tal como acontece no videoclipe da música Lovers In Japan. Após os aplausos da música de abertura Life in Technicolor, a banda apresentou a aclamada Clocks, cantada por todos os fãs enquanto Martin tateava em seu piano os efusivos e famosos acordes da canção - que desta vez, além do verde, ganhou um mar de laser vermelho. "Obrigado por virem a um show do Coldplay em um domingo à noite", afirmou o vocalista.

Poucos foram os que viram a primeira apresentação da banda inglesa em 2003, na Barra da Tijuca, quando acontecia turnê de lançamento do excelente A Rush of Blood to the Head. De sete anos para cá, foram dois novos álbuns com canções cada vez mais populares, que passaram a não atrair apenas centenas de fãs a pequenas casas de show, mas milhares, em grandes estádios de cidades em todo o mundo.

Portanto, foi com alegria que o público recebeu In My Place, The Scientist e God Put a Smile Upon Your Face, além de Yellow, que tingiu a Praça de amarelo com luzes e bolas gigantes recheadas com confetes que saltavam entre os braços dos fãs. A grande festa de cores também ficou por conta das mais recentes Viva la Vida (ganhadora do Grammy de melhor canção em 2009) e Lovers in Japan, com sua chuva de confetes coloridos em forma de borboletas – sem dúvida um dos momentos mais emocionantes do show. Já em Shiver, a banda se aproximou do público em um pequeno palco localizado entre as pistas, e foi recebida por um mar de luzes de celulares que formavam uma constelação infinita de equipamentos eletrônicos.

Apesar da nova produção e maior evolução musical, os rapazes do Coldplay ainda continuam os mesmos que subiram ao palco no Rio em 2003. Continuam com carisma e a energia que poucas bandas possuem e se divertem com o que fazem. Como provou a bela e inédita canção Don Quixote ao final do show, tudo indica que novas belas canções e muitos outros shows impressionantes do Coldplay virão por aí.



Setlist:

Life in Technicolor
Violet Hill
Clocks
In My Place
Yellow
Glass of Water
42
Fix You
Strawberry Swing
God Put a Smile Upon Your Face
Talk
The Hardest Part
Postcards From Far Away
Viva la Vida
Lost
Shiver
Death Will Never Conquer
Don Quixote
Viva la Vida (Remix)
Politik
Lovers in Japan
Death and All His Friends
The Scientist
Life in Technicolor ii





sexta-feira, março 27, 2009

A Beleza da Simetria


Keane
13/03/09
Citibank Hall, Rio de Janeiro

Em um palco tingido de cores primárias misturadas aos tons intensos dos holofotes, o Keane voltou ao Brasil com energia renovada. E com um show ainda mais empolgante e belo.
Na segunda vista ao Brasil, Tom Chaplin, Tim Rice-Oxley e Richard Hughes não queriam estar em outro lugar para fechar a turnê “Perfect Symmetry”, do terceiro disco homônimo da banda. E os fãs também não. Afinal, nenhum lugar do mundo parece ser melhor quando se está em um show do Keane.
Naquele momento, Tom fazia jus à sua exclamação “Cidade Maravilhosa!”.

Com o repertório mais abrangente, Tom era o protagonista de canções que emocionavam (“Somewhere Only We Know”, sempre) e surpreendiam (“Under Pressure”, do Queen em uma ótima versão). Ele estava em perfeita sintonia com a banda, que recebeu o músico Jesse Quinn para enriquecer ainda mais o som com baixo e guitarra.

Tom movia-se rapidamente no palco, especialmente em canções como “Crystal Ball” e a agitada “Spiralling”. Com as câmeras em punho, fãs tentavam acompanhar o vocalista. Porém, foi fácil aproximá-lo com o zoom nas músicas “Bedshaped” e “Frog Prince”, em uma versão acústica.

“Tudo bom com vocês?”. “Cantem conosco!”. Tom Chaplin ganhava ainda mais o público ao falar português, com vocabulário ampliado. Esbanjou simpatia e deixaria com inveja outros cantores que tentam a comunicação na língua local...

Visivelmente apaixonados pelo Brasil, o Keane deixou o país com ainda mais fãs contentes em ver uma banda que evolui musicalmente sem deixar de lado suas características primárias, tais como as cores que brilhavam no palco.

Set list:
Lovers Are Losing
Everybody´s Changing
Again & Again
Nothing In My Way
Better Than This
A Bad Dream
This Is the Last Time
Spiralling
The Frog Prince
Try Again
Early Winter
You Haven´t Told Me Anything
Leaving So Soon?
You Don´t See Me
Perfect Symmetry
Somewhere Only We Know
Crystall Ball
Under Pressure
Is It Any Wonder?
Bedshaped

Site Oficial

Imagem:Ana Elisa Mello

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Aos olhos da inocência

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas)

Livro de John Boyne (2006) e filme de Mark Herman (2008)

Através dos olhos azuis brilhantes, o menino Bruno transborda sua inocência e curiosidade. Como qualquer criança de 9 anos, ele está em busca de novidades, sentimentos diferentes e aventuras inesquecíveis. Em “O menino do pijama listrado”, tais experiências são abordadas de maneira cuidadosa e o escritor John Boyne, assim como o diretor Mark Herman, trazem à tona ricos valores de amizade e confiança, a partir do ponto de vista de Bruno, interpretado no filme pelo amável Asa Butterfield.

Explorador, fã de Júlio Verne e “Ilha do Tesouro” de Robert Louis Stevenson, Bruno vive na Alemanha nazista, semeada com ódio e tristeza trazida pelo Holocausto que ele desconhece. Sem que o menino queira, a 2º Guerra Mundial foge do plano de fundo e passa a influenciar a vida de sua família. Seu pai (David Thewlis, o Remus Lupin de “Harry Potter”), é convocado pelo próprio Führer (“Fúria” aos ouvidos de Bruno) e deve se mudar de Berlim para uma casa no interior do país, próxima ao campo de concentração que ele irá comandar. É da janela do quarto da nova casa que Bruno vê os judeus pela primeira vez e decide explorar para tentar fazer novos amigos. Ao se aproximar da cerca que isola o campo, Bruno vê Shmuel, um menino judeu polonês que veste pijamas listrados, assim como todos os outros judeus que vivem com ele. A cada cena ou capítulo, os meninos percebem que têm muito e comum e se aproximam cada vez mais, mesmo que a cerca os impeça de brincar juntos. Aos olhos de Bruno, as diferenças da guerra fazem o lugar parecer intrigante, e ele deseja ajudar Shmuel e também ser parte deste mundo tão distinto por trás do arame. Belo e comovente, o filme conta com uma trilha sonora primorosa assinada por James Horner. O maior trunfo do roteiro é valorizar resquícios de humildade e compaixão, sem deixar de lado as consequências crueis do desprezo e da ganância.

Site oficial do Filme

Site do escritor John Boyne

terça-feira, outubro 14, 2008

Guerra e compaixão


Filme:
Welcome to Sarajevo (Inglaterra, 1997)

Arriscar a vida ao se lançar em meio ao fogo cruzado de uma guerra pode ser para muitos, suicídio. Reportar bombardeios e genocídios ou fotografar cadáveres e milhares de feridos, repugnante. No entanto, correspondentes de guerra são movidos como imãs para regiões de conflitos, onde a linha tênue entre fonte e profissional se torna ainda mais estreita. Em meio à guerra, muitos jornalistas sentem uma explosão de sentimentos, diferente daqueles ocorrentes nas coberturas tradicionais. Se já é um desafio fazer uma reportagem neutra e imparcial, nas guerras este desafio se expande ao nível da utopia. Esta é a mensagem de Welcome to Sarajevo, o primeiro filme sobre a guerra da Bósnia que conta a história real do jornalista inglês Michael Nicholson (Michael Henderson, no filme interpretado por Stephen Dillane)

Em Sarajevo para cobrir a guerra da Bósnia em 1992, o jornalista inglês de uma rede independente de televisão está em busca de uma pauta que vai além do sangue e da violência. Assim, Henderson e sua equipe visitam um orfanato, e não só se sensibilizam com as condições das crianças como também se dispõem em ajudá-las a fugir da guerra. Sem querer, Henderson desperta o afeto da menina Emira (Emira Nušević), e decide levá-la com ele na volta para a Inglaterra.

O filme, dirigido por Michael Winterbottom, vai além dos bombardeios e descreve com realidade as relações humanas costuradas durante a guerra. No roteiro de Frank Cottrell Boyce, é transparente e impetuosa a capacidade humana de compaixão ao próximo. Para as crianças, os jornalistas são a única esperança - um porto-seguro que as guiará para longe do conflito e da morte-. Welcome to Sarajevo também explora a relação entre jornalista e tradutor, e revela uma relação de confiança poucas vezes considerada por outros filmes semelhantes.

Entrevista com o ator Goran Visnjic