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quinta-feira, janeiro 22, 2009

Aos olhos da inocência

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas)

Livro de John Boyne (2006) e filme de Mark Herman (2008)

Através dos olhos azuis brilhantes, o menino Bruno transborda sua inocência e curiosidade. Como qualquer criança de 9 anos, ele está em busca de novidades, sentimentos diferentes e aventuras inesquecíveis. Em “O menino do pijama listrado”, tais experiências são abordadas de maneira cuidadosa e o escritor John Boyne, assim como o diretor Mark Herman, trazem à tona ricos valores de amizade e confiança, a partir do ponto de vista de Bruno, interpretado no filme pelo amável Asa Butterfield.

Explorador, fã de Júlio Verne e “Ilha do Tesouro” de Robert Louis Stevenson, Bruno vive na Alemanha nazista, semeada com ódio e tristeza trazida pelo Holocausto que ele desconhece. Sem que o menino queira, a 2º Guerra Mundial foge do plano de fundo e passa a influenciar a vida de sua família. Seu pai (David Thewlis, o Remus Lupin de “Harry Potter”), é convocado pelo próprio Führer (“Fúria” aos ouvidos de Bruno) e deve se mudar de Berlim para uma casa no interior do país, próxima ao campo de concentração que ele irá comandar. É da janela do quarto da nova casa que Bruno vê os judeus pela primeira vez e decide explorar para tentar fazer novos amigos. Ao se aproximar da cerca que isola o campo, Bruno vê Shmuel, um menino judeu polonês que veste pijamas listrados, assim como todos os outros judeus que vivem com ele. A cada cena ou capítulo, os meninos percebem que têm muito e comum e se aproximam cada vez mais, mesmo que a cerca os impeça de brincar juntos. Aos olhos de Bruno, as diferenças da guerra fazem o lugar parecer intrigante, e ele deseja ajudar Shmuel e também ser parte deste mundo tão distinto por trás do arame. Belo e comovente, o filme conta com uma trilha sonora primorosa assinada por James Horner. O maior trunfo do roteiro é valorizar resquícios de humildade e compaixão, sem deixar de lado as consequências crueis do desprezo e da ganância.

Site oficial do Filme

Site do escritor John Boyne

terça-feira, outubro 14, 2008

Guerra e compaixão


Filme:
Welcome to Sarajevo (Inglaterra, 1997)

Arriscar a vida ao se lançar em meio ao fogo cruzado de uma guerra pode ser para muitos, suicídio. Reportar bombardeios e genocídios ou fotografar cadáveres e milhares de feridos, repugnante. No entanto, correspondentes de guerra são movidos como imãs para regiões de conflitos, onde a linha tênue entre fonte e profissional se torna ainda mais estreita. Em meio à guerra, muitos jornalistas sentem uma explosão de sentimentos, diferente daqueles ocorrentes nas coberturas tradicionais. Se já é um desafio fazer uma reportagem neutra e imparcial, nas guerras este desafio se expande ao nível da utopia. Esta é a mensagem de Welcome to Sarajevo, o primeiro filme sobre a guerra da Bósnia que conta a história real do jornalista inglês Michael Nicholson (Michael Henderson, no filme interpretado por Stephen Dillane)

Em Sarajevo para cobrir a guerra da Bósnia em 1992, o jornalista inglês de uma rede independente de televisão está em busca de uma pauta que vai além do sangue e da violência. Assim, Henderson e sua equipe visitam um orfanato, e não só se sensibilizam com as condições das crianças como também se dispõem em ajudá-las a fugir da guerra. Sem querer, Henderson desperta o afeto da menina Emira (Emira Nušević), e decide levá-la com ele na volta para a Inglaterra.

O filme, dirigido por Michael Winterbottom, vai além dos bombardeios e descreve com realidade as relações humanas costuradas durante a guerra. No roteiro de Frank Cottrell Boyce, é transparente e impetuosa a capacidade humana de compaixão ao próximo. Para as crianças, os jornalistas são a única esperança - um porto-seguro que as guiará para longe do conflito e da morte-. Welcome to Sarajevo também explora a relação entre jornalista e tradutor, e revela uma relação de confiança poucas vezes considerada por outros filmes semelhantes.

Entrevista com o ator Goran Visnjic