segunda-feira, setembro 29, 2008

Como Hollywood quer


"Meu nome é Peter Iliff, e eu sou um roteirista de Hollywood!! Legal, não?"

Simpático e descontraído, Peter Iliff deu início às palestras com roteiristas, diretores e produtores providas pelo RioMarket, o evento de negócios do festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.
Peter chegou ao debate com um sorriso de orelha a orelha: "Eu estou adorando isso aqui. O Rio é maravilhoso!", exclamou o roteirista americano, que por baixo da blusa social vestia uma camiseta de Barack Obama assinada pelo artista Shepard Fairey.
Com 22 anos de carreira, Peter assinou filmes como
Caçadores de Emoção (Point Brak, EUA, 1991) e Jogos Patrióticos (Patriotic Games, EUA, 1992). Ano que vem, ele já planeja escrever e dirigir seu próximo filme.
Expert em ação, Peter acha estranho quando um roteirista muda de gênero. "Isso é possível, mas cada um acaba encontrando o melhor estilo", disse.

Como muitos roteiristas
hollywoodianos, Peter sempre gostou muito de escrever histórias e poesias, além de ser fã de James Bond. "Acho que isso já explica muita coisa." No começo, ele conta que foi difícil conseguir um agente, e demorou até seu primeiro roteiro ser aprovado por um grande estúdio. "Minha primeira agente se chamava Vida. Ela era uma senhorinha com mais de 80 anos e com cabelos que chegavam no joelho. Uma vez fomos juntos à Warner e ela não parava de tirar livros do lugar em busca de uma garrafa de wisky. Acho que a produtora ficou com pena de mim e depois pediu para eu voltar outro dia, sozinho", contou Peter.

Até
Caçadores de Emoção fazer sucesso com Keanu Reeves e o "ghost" Patrick Swayze, Iliff teve muitos roteiros recusados, e muitos rascunhos jogados fora. No entanto, ele contou que planejava tudo do modo mais positivo, sempre escrevendo da maneira como ele queria, mas com os "toques mágicos" de Hollywood. Além de conhecer o direitor é o produtor, Peter destacou a importância de se ter uma boa relação com eles, além é claro, de escolher os atores certos para os personagens.
Segundo Peter, cada detalhe é importante em um roteiro. "A preparação é o mais importante. Você precisa ter certeza de que sua idéia é boa e que vale a pena ela ser um filme. Depois, é só escrever todas as cenas examente como você quer".

Como se estivesse na pele de um jornalista, Iliff contou como é essencial conhecer coisas diferentes o tempo todo, e o mais importante, conhecê-las bem: "Para muitos dos filmes tive que aprender sobre os policiais da Califórnia e tive longas conversas com bombeiros, por exemplo. Tudo isso para deixar o mais verossímil possível".

Na palestra, Peter contou que já está trabalhando na pré-produção do filme Fast Flash to Bang Time, uma continuação de Point Break.


Que venham mais bons roteiros e filmes de Hollywood!

Filmes de Iliff:



Sob Suspeita (Under Suspicion, EUA e França, 2000)

sexta-feira, agosto 29, 2008

A Arte das Revistas




Entre as dezenas de publicações semanais ou mensais de revistas brasileiras, são poucas as que se destacam não somente pelas boas reportagens, mas também pelas incríveis ilustrações e supreendentes infográficos. Aliás, folheando revistas como Superinteressante ou Mundo Estranho, sempre ficava me perguntando: "Que desenho legal! Como eles fizeram isso?" Com muito trabalho e criatividade, sem dúvida. Entre ilustrações digitais, feitas em programas como Photoshop ou Corel Draw, impressionam as que são feitas como nos velhos tempos, com lápis de cor, tinta guache, aerógrafo, nanquim, e até mesmo Lego ou massa de modelar! Eis, então, a exposição Ilustrando em Revista, que acompanha a trajetória histórica da arte que é publicada nas revistas da editora Abril, e exibe no Centro Cultural da Justiça Federal no Rio de Janeiro, as obras originais que foram para as páginas das revistas. A mostra registra o traço de ilustradores famosos como Ziraldo, Rogério Nunes e Negreiros, além do detalhismo de Patrícia Lima e Benicio, por exemplo. Entre escolha de técnica e idéia, os ilustradores também devem pensar na matéria, e idealizar o desenho na página, pensando no tamanho do texto, na posição, e é claro, na dobra da revista.
Nas histórias em quadrinhos, por exemplo, o espaço é ainda mais importante, já que ele define o tamanho da história. No workshop dos irmãos quadrinistas
Fábio Moon e Gabriel Bá, o recado foi bem claro: "Nosso trabalho é 90% de pensamento, e 10% de desenho. Não é preciso ser um gênio em desenho para fazer história em quadrinhos. O mais importante é pensar a história no papel e nos quadros, seja para um HQ de 40 páginas, ou para uma simples tirinha".

Ilustração: Ricardo Cunha Lima - professor de Jornalismo Gráfico da Escola de Comunicação da UFRJ. Revista Mundo Estranho.

sexta-feira, agosto 15, 2008

The Last Shadow Puppets


Alex Turner não pode, mas de maneira nenhuma, ficar de fora deste blog! Em novembro, o Arctic Monkeys lança seu primeiro DVD, o Arctic Monkeys at the Appolo, gravado ano passado no Manchester Apollo, na Inglaterra. Mas hoje o Alex vai aparecer por aqui com Miles Kane (da banda francesa The Rascals) na banda The Last Shadow Puppets.

Ok, talvez você já tenha ouvido falar, já tenha baixado o álbum e já tenha ouvido as músicas em repeat, sem conseguir tirar os fones de ouvido em todas as faixas de "The Age of the Understatement", lançado em abril deste ano e já à venda nas lojas.

Pois então, tire os fones de ouvido. Jogue as músicas em uma boa caixa de som e veja que esta é uma nova banda que não busca somente a sensação de ser um hit momentâneo, com melodias simples e letras pobres. Last Shadow Puppets é imponente, tanto pelo som quanto pela postura. É incrível o que você sente ao ouvir My Mistakes were made for you. E é inevitálvel lembrar de Knights of Cydonia, do Muse quando se ouve a faixa de abertura que dá nome ao disco.
Na nova banda, Alex divide os vocais e as guitarras com o Miles Kane, que inclusive tocou em algumas faixas do último álbum dos Monkeys, "Favourite Worst Nightmare".
Em "Age of the Understatemente" eles são acompanhados por uma orquestra que deixa as melodias ainda mais belas e impactantes, ora delicadas - como em The Meeting Place e Time Has Come Again - e ora intensa - em Stading Next To Me, por exemplo.
Por enquanto, a turnê do novo disco está passando pela Europa e pelos Estados Unidos, mas bem que todos os fãs, tanto deles quanto de Arctic Monkeys, deveriam ter a chance de ouvir as músicas ao vivo. De preferência em alto em alto e bom som.

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segunda-feira, abril 28, 2008

Coldplay em busca da Revolução


Seguindo as novas tendências midiáticas da música, o Coldplay decidiu acompanhar a onda do Radiohead, que ano passado despediu a gravadora para lançar In Rainbows via download.

Seu novo álbum - Viva La Vida or Death and All His Friends - só será lançado em junho, mas semana que vem, a banda vai disponibilizar de graça no site por uma semana o novo single Violet Hill.


Liberdade, igualdade e fraternidade? Talvez seja a inspiração na Revolução Francesa, mas além do free single, o Coldplay também fará shows de graça nos Estados Unidos e na Inglaterra, em Nova York e em Londres, respectivamente.

E os fãs britânicos ainda têm mais mordomia: quem comprar a próxima edição da NME ganha de brinde um vinil com duas novas músicas, a Violet Hill e A Spell a Rebel Yell.
De acordo com a newsletter divulgada pelo Coldplay, Viva La Vida será lançado dia 12 de junho na Inglaterra e quatro dias depois no Brasil. Quem sabe a Revolução também não chega por aqui?

sábado, abril 19, 2008

Liberdade e Solidão na Natureza


Filme: Na Natureza Selvagem, de Sean Penn. Com Emile Hirsch.


Quando você quer alguma coisa na vida, só precisa alcançá-la e agarrá-la.
When you want something in life, you just gotta reach out and grab it.

- Alexander Supertramp

Liberdade. Solidão. Felicidade. São estas as palavras que Christopher McCandless (Emile Hirsch) quer concretizar sobrevivendo em uma natureza inóspita, mas ao mesmo tempo fascinante. Recém-formado, Chris que quer fugir de tudo e de todos: dos olhares de seus pais obcecados, da sua monótona vida materialista e especialmente da sociedade. Ele quer um lugar único, insólito e selvagem onde ele não precise de dinheiro, carro, telefone, animal de estimação, família ou amor.

Essa paixão pelo infinito da natureza e pela liberdade individual levará seu espírito aventureiro em uma jornada pelos Estados Unidos e México, passando por lugares excepcionalmente fotografados por Eric Gautier (Diários de Motocicleta), como Colorado River e Fairbanks, no Alaska, onde ele finalmente sonha em chegar para viver.

Ao iniciar sua jornada, Chris é agora Alexander Supertramp. Ele é interpretado por Emile Hirsch, que mergulha tão profundamente no papel e atua de maneira tão natural que nos faz querer segui-lo pelas correntezas dos rio, nadar com as gaivotas e acompanhá-lo nas longas caminhadas. Em outras palavras, eles nos faz emergir de uma vida comum para uma outra, completamente sem limites. Por esse motivo, Alex é inteligente, estúpido, arrogante, corajoso, persistente e narcisista - dependendo do ponto de vista. Ao longo da viagem, cativa hippies e conhece pessoas tão solitárias quanto ele - mas que não necessariamente querem estar sozinhas - e que ensinam lições tão importantes quanto as de suas filosofias literárias favoritas.

Ao chegar no Alaska, Alex encontra ônibus mágico abandonado, e é lá que ele vive por 4 meses. Enrascadas ao longo do filme pela edição de Jay Cassidy (Uma Verdade Inconveniente), as cenas de Alex enfrentando os desafios no Alaska são intercaladas com as cenas da jornada, o que faz o filme evoluir junto com suas experiências na natureza selvagem. Ao mesmo tempo, as tomadas são acompanhadas pela narração da irmã de Alex e pela sensacional trilha sonora de Eddie Vedder, do Pearl Jam - ganhadora do Globo de Ouro deste ano -. Impossível haver uma escolha melhor. Canções como No celling, Society e Long Nights encaixam-se harmonicamente na jornada de Alex.

A harmonia também é o ponto forte de Sean Penn, diretor e roteirista do filme, que achou fascinante o livro do jornalista aventureiro Jon Krakauer. Jon conta a história real de Chris, que foi encontrado morto dentro do ônibus mágico, dois anos depois de deixar sua família na Virgínia. Depois de ler o livro ou ver o filme, podemos ter certeza que Alex encontrou sua liberdade, mas deixou que ela lhe armasse uma astuta armadilha.


Trailer de Na Natureza Selvagem

Site ofical: www.intothewild.com